Heinz Thorne nasceu e cresceu na Rússia, embora seu pai
fosse britânico. Nunca conheceu sua mãe, nem ouviu falar dela, já que este é um
assunto que seu pai evita entrar em detalhes. Sempre acreditou que ela o
abandonou sob a responsabilidade de seu pai, e por isso, nutre algum tipo de
raiva por ela.
Quando fez cinco anos, descobriu
uma varinha velha em uma caixa esquecida no sótão. Foi assim que descobriu que
sua mãe era uma bruxa e que quando chegasse a hora, ele também seria. Foi aos
onze anos que ele recebeu a carta de Durmstrang, e uma visita do atual
professor de Arte das Trevas Sergei Ivanovich. Era um homem assustador,
com feições sombrias e uma enorme cicatriz que trespassava todo o seu olho
esquerdo.
Não foi com a cara do homem
imediatamente, o que contribuiu para que seus anos no colégio fossem
transformados em um inferno. É, ele sofreu cada dia dos quatro longos anos que
passou por lá. Sofreu bulling, foi maltratado e se transformou em um
adolescente soturno e rebelde.
Logo em seu primeiro ano, arranjou
briga com um garoto gordinho e baixinho que se achava o melhor só por
ser descendente de Stálin. Sua altura e condição física contribuíram
para que vencesse aquela luta, mas não o ajudou quando esse mesmo garoto juntou
uma trupe para atacá-lo. No segundo ano as brigas apenas pioraram, e ele passou
a receber detenções por elas. Arranjar briga com o alto escalão da escola se
tornara então uma questão de honra, e escapar das detenções depois se tornou
questão de vida ou morte.
Talvez você se pergunte onde estava
o pai dele quando isso acontecia, mas saiba que o que acontecia em Durmstrang,
ficava em Durmstrang. Pelo menos se tratando de parentes trouxas. Heinz sabia
que se seu pai sequer imaginasse o que acontecia, Sergei não hesitaria em
tentar matá-lo. Era mais seguro ficar calado.
Tudo ficou ainda pior no terceiro
ano, a ponto de faltar as provas finais por causa de um ferimento muito
profundo e repetir de ano. O estopim foi quando bateu tanto em um garoto que
ele ficou inconsciente por quase um mês. Por azar, ou talvez sorte, ele era
filho do diretor de Durmstrang e Heinz foi expulso do Instituto por mau
comportamento.
No ano seguinte conseguiu uma vaga
em Hogwarts, graças à um conhecido de sua mãe que ficou sabendo do acontecido.
Heinz queria negar o favor, não queria nada relacionado à sua mãe. Mas quando
comunicou seu pai de sua decisão, o olhar de decepção dele foi o suficiente
para fazê-lo mudar de ideia.
Por algum motivo que não sabia
explicar, Heinz sempre quis obter o orgulho de seu pai. Desde muito pequeno
tudo o que fazia visava à aprovação do pai. Desde arrumar seus brinquedos nas
caixas corretas à tirar boas notas mesmo não dando a mínima para as matérias do
colégio.
Mesmo em Hogwarts, os problemas pareciam não deixá-lo em
paz. De primeira, enfrentou algumas desavenças com uma linda garota chamada
Kyra. Algumas talvez seja uma palavra um tanto amena para descrever a
quantidade das discussões, mas depois de algum tempo aquele rosto simplesmente
passou a fazer parte de sua rotina.
O caso é que, de repente não tão de repente, Heinz se viu
preso pela cor dos cabelos de Kyra, e enfeitiçado pelo seu olhar. Não soube, e
ainda não sabe, o que acarretou tal mudança. Procura sabê-la, todos os dias
antes de dormir, mas não sabe nomeá-la, ou talvez saiba, mas não tenha coragem
de admitir.
Heinz cresceu solitário. Nunca teve muitos amigos, e os
poucos que mantinha desapareceram assim que partiu para Durmstrang. É
desconfiado também, vê segundas intenções em cada ação das outras pessoas, e
por isso, tem muita dificuldade em fazer novos amigos.
Não que seja tímido: é perfeitamente capaz de manter uma
conversa com alguém, sem se importar com o que ele pensa, só nunca teve
paciência ou incentivo o suficiente para mantê-la. É uma pessoa de poucas
palavras, que responde violentamente ao menor estímulo, apenas por estar
acostumado a fazê-lo. Apesar disso, pode ser carinhoso e compreensivo depois
que ama uma pessoa, como acontece com seu pai.
Ele mantém seus cabelos louros longos, de maneira que
cheguem até um pouco abaixo de seus ombros. É alto e bastante musculoso,
simplesmente porque teve sorte e uma boa genética. Nunca trabalhou demais para
isso, embora tenha se mantido em forma para ser capaz de vencer uma briga com facilidade.
Seus olhos, apesar de azuis claros, são bastante sombrios e
mostram pouco do que sente. Em quatro anos passados em Durmstrang, aprendeu que
os olhos são sim a janela da alma. Possui uma quantidade incontável de
cicatrizes, mas a única realmente visível para todos é a que tem no braço,
fruto de um feitiço de Arte das Trevas conjurado por seu professor em uma das
detenções.
Ela costuma doer quando algo ruim está para acontecer, mas
Heinz raramente entende a dor como um sinal. Pensa que é algum resquício do
feitiço, ou que a enfermeira não quis curá-lo totalmente.
O que Heinz mais gosta em Hogwarts é o verão. O céu azul e
o clima quente, fazem-no lembrar-se de quanto a Rússia era fria demais. Nesses
dias, ele prende o cabelo em um rabo de cavalo e usa uma blusa leve, em
companhia de uma calça jeans. O único problema é deixar sua cicatriz à mostra,
mas vale a pena.
Não tem animais de estimação, mas gostaria de ter um gato.
Gosta da maneira que eles são independentes e inteligentes. Além disso, pode
confiar que o gato dificilmente vai mentir ou traí-lo de alguma maneira.
Tem um hobby também, costuma desenhar quanto se sente
entediado ou triste. Gosta de desenhar rostos principalmente, mas também
desenha algumas paisagens. Pouca gente sabe que ele desenha, e menos ainda já
viram seus desenhos.
Heinz não tem preconceitos com o pessoal das outras casas,
muito mais por não conhecer ninguém por qualquer outra coisa. Ele não fala com
ninguém a não ser que seja estritamente necessário.






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